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“So if you’re lonely / you know I’m here waiting for you”. Julian Casablancas descobriu o jeito mais sexy possível de se cantar nos últimos tempos. E um britânico aprimorar uma invenção americana é quase uma lei da música pop.
Pensou nisso daquela forma desajeitada em que a gente pensa na maioria das coisas, especialmente com um copo de vodca com Coca-Cola nas mãos, às quinze para as quatro da madrugada, enquanto o hit do Franz Ferdinand fez todos os seus amigos correrem para a sala.
Isso fez disparar nela imediatamente uma injeção de adrenalina e pensou que, de uma forma estranha, sentir o coração apertar ao som de acorde dissonante é uma forma de saber que ele ainda está batendo. Talvez essa seja uma conclusão óbvia para qualquer pessoa que ouve música, e ter consciência disso agora não resolvia em nada seu problema.
“I know I won’t be leaving here with you”. Não que esse fosse exatamente a questão, mas enquanto a canção estava naquela mudança de batida que fazia todo mundo levantar as mãos ou se mover de qualquer outra forma expansiva, sentiu as gotas de cerveja voarem de um copo qualquer direto para a sua saia como uma ducha gelada em todo o corpo.
Pela milésima vez na vida se sentia assim e, por algum motivo qualquer, sabia que seria a última. “My little empire / I’m happy being sad”. Os versos dos Manic Street Preachers costumavam ser um conforto, mas quando ela foi fazer a milésima viagem imaginária do meio da festa até a segurança do seu quarto, não pôde mais.
Porque a adolescência se tornou óbvia e acabou, porque a música estava tão alta que ela não ouvia seu próprio pensamento, ou simplesmente por nenhum motivo aparente, pela mesma falta de sentido que ela descobria a cada minuto em todas as coisas ao seu redor.
Agora ela já não era dona do seu pequeno império, até porque os reis não existem mais, e o mesmo trauma das guilhotinas era um trauma pessoal. Ela nunca fez ninguém perder a cabeça (literalmente) e nunca achou que questões de ciência e progresso pudessem falar mais alto do que seu coração. Mas ganhou herança sua própria vida e uma ignorância absoluta do que ela significa.
Nesse momento perdia a noção do que realmente havia do lado de fora da sua retina. Mas ninguém lhe tirou a possibilidade de acreditar nas suas sensações, e isso ela ainda podia fazer. Cada movimento desajeitado dos seus pés sobre o salto, enquanto ouvia sons de bateria alguns decibéis acima de um nível saudável, era um pequeno manifesto sem palavras. Uma nova injeção de adrenalina fez com que voltasse a ver imagens em três dimensões, quase enxergando ela mesma, e quis contar pra todo mundo sobre sua felicidade, tão frágil quanto bem vinda. “If I wink, this can die / If I wane, this can die”
Pensou nisso daquela forma desajeitada em que a gente pensa na maioria das coisas, especialmente com um copo de vodca com Coca-Cola nas mãos, às quinze para as quatro da madrugada, enquanto o hit do Franz Ferdinand fez todos os seus amigos correrem para a sala.
Isso fez disparar nela imediatamente uma injeção de adrenalina e pensou que, de uma forma estranha, sentir o coração apertar ao som de acorde dissonante é uma forma de saber que ele ainda está batendo. Talvez essa seja uma conclusão óbvia para qualquer pessoa que ouve música, e ter consciência disso agora não resolvia em nada seu problema.
“I know I won’t be leaving here with you”. Não que esse fosse exatamente a questão, mas enquanto a canção estava naquela mudança de batida que fazia todo mundo levantar as mãos ou se mover de qualquer outra forma expansiva, sentiu as gotas de cerveja voarem de um copo qualquer direto para a sua saia como uma ducha gelada em todo o corpo.
Pela milésima vez na vida se sentia assim e, por algum motivo qualquer, sabia que seria a última. “My little empire / I’m happy being sad”. Os versos dos Manic Street Preachers costumavam ser um conforto, mas quando ela foi fazer a milésima viagem imaginária do meio da festa até a segurança do seu quarto, não pôde mais.
Porque a adolescência se tornou óbvia e acabou, porque a música estava tão alta que ela não ouvia seu próprio pensamento, ou simplesmente por nenhum motivo aparente, pela mesma falta de sentido que ela descobria a cada minuto em todas as coisas ao seu redor.
Agora ela já não era dona do seu pequeno império, até porque os reis não existem mais, e o mesmo trauma das guilhotinas era um trauma pessoal. Ela nunca fez ninguém perder a cabeça (literalmente) e nunca achou que questões de ciência e progresso pudessem falar mais alto do que seu coração. Mas ganhou herança sua própria vida e uma ignorância absoluta do que ela significa.
Nesse momento perdia a noção do que realmente havia do lado de fora da sua retina. Mas ninguém lhe tirou a possibilidade de acreditar nas suas sensações, e isso ela ainda podia fazer. Cada movimento desajeitado dos seus pés sobre o salto, enquanto ouvia sons de bateria alguns decibéis acima de um nível saudável, era um pequeno manifesto sem palavras. Uma nova injeção de adrenalina fez com que voltasse a ver imagens em três dimensões, quase enxergando ela mesma, e quis contar pra todo mundo sobre sua felicidade, tão frágil quanto bem vinda. “If I wink, this can die / If I wane, this can die”

2 Comments:
'...and if you leave here, you'll leave me broken...'
julian casablancas rulez.
franz ferdinand rulez.
rodrigo ortega rulez.
=******
nossa, ortega!
estou muito burrico mesmo:
só depois de ler pela terceira vez que eu entendi a sacada do julian e da vozinha sexy aprimorada. rá!
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